Quando você fala em “energia social”, está apontando para algo que todo mundo sente, mas poucos nomeiam: o jeito como a presença das pessoas nos alimenta ou nos esgota.
Energia social é o impacto invisível que as relações têm sobre o nosso estado interno.
Há um dilema aí:
Eu devo me adaptar à energia dos outros?
Ou devo proteger e escolher melhor a energia à minha volta?
E uma pergunta ainda mais profunda:
Até que ponto a minha energia é “minha”, e até que ponto é um reflexo do ambiente em que vivo?
Você costuma sair de encontros sociais mais carregado(a) ou mais drenado(a)?
Você sente que muda de humor dependendo de quem está por perto?
Em quais lugares você sente: “Aqui minha energia se organiza”, e em quais sente: “Aqui eu me desmancho”?
As respostas já mostram como a “energia social” atua na sua vida.
Para o existencialismo (Sartre, por exemplo), o outro nunca é neutro:
o olhar do outro pode me congelar (me sentir julgado, observado, preso a uma imagem),
ou pode me revelar (me ver onde eu mesmo não me via).
Energia social, aqui, é a forma como:
alguns ambientes nos empurram para papéis que não queremos,
outros nos dão espaço para ser quem somos.
Pergunta existencial:
Em quais grupos você sente que precisa “atuar”, e em quais você sente que pode simplesmente existir?
Talvez a sua energia social drene exatamente onde você vive em “modo personagem”.
Nietzsche se preocupava muito com aquilo que fortalece ou enfraquece a vida.
Há pessoas e contextos que deixam você menor, ressentido, cansado de tudo.
Há outros que fazem você se sentir mais vivo, criativo, corajoso.
Energia social, aqui, é uma questão de saúde:
Quem te cerca aumenta sua potência ou te puxa para baixo?
Nietzsche provocaria:
As pessoas com quem você convive estão te ajudando a se superar, ou a se acostumar com uma versão reduzida de si?
Se pensamos em “cuidar de si” como um ato ético, a energia social vira um campo de responsabilidade:
Você não é obrigado a se expor, o tempo todo, a ambientes que te destroem internamente.
Escolher melhor as relações, os lugares, as conversas, não é egoísmo, é higiene psíquica.
Energia social então não é só algo que você sofre; é algo que você administra:
limites,
frequência de contato,
profundidade de abertura.
Pergunta:
Se você tratasse sua energia como algo precioso, o que mudaria na forma como você diz “sim” e “não” para as pessoas?
Vou condensar em algumas frases:
Nem todo cansaço é físico. Às vezes é o peso de sustentar ambientes onde a alma não cabe.
Energia social é a soma do que damos e do que recebemos nas relações. Quando só damos, viramos fonte seca. Quando só recebemos, viramos peso. O equilíbrio é uma dança.
Você não controla a energia dos outros, mas é responsável por quanto tempo fica onde sua energia morre.
Alguns sinais de energia social tóxica:
você se sente constantemente culpado(a), inferior ou “errado(a)”;
conversas giram sempre em torno de fofoca, reclamação, destruição de terceiros;
você volta desses encontros sempre mais cansado(a) do que chegou.
Sinais de energia social nutritiva:
você consegue discordar sem medo de ser humilhado(a);
rir é fácil, chorar é permitido;
você sai com sensação de “sou mais eu” e não “sou menos eu”.
Talvez a pergunta mais prática seja:
Com quem você sente que pode respirar fundo?
Essas pessoas, esses lugares, são pistas de onde a sua energia social encontra morada.
Se puder, reflita sobre os seguintes tópicos:
Como você percebe hoje a sua energia social: mais drenada, mais nutrida, um caos?
Tem algum ambiente ou pessoa que você sente que está mexendo muito na sua energia ultimamente?
Você gostaria de pensar comigo em “fronteiras filosóficas” para proteger melhor a sua energia nas relações?